quarta-feira, 27 de junho de 2012

Cidade feita de espectros

À noite, é mais difícil, porque tenho os olhos descobertos. De dia, os óculos escuros escondem dos outros a solidão de quem não quer mostrar-se incomodado com ela.

A minha Lisboa está cada vez mais cheia de fantasmas. Substituem-se uns aos outros, há um espectro em cada rua da cidade, sinto cravados na nuca os olhos de quem eu queria que me olhasse de frente. E, invariavelmente, quando me viro, não está lá ninguém.

Continuo a procurar-te nos rostos e nos corpos de estranhos, que se tornam familiares pelas parecenças contigo que neles invento. É um fenómeno que se repete, não há nada a fazer, estás em toda a parte. Como uma gripe, resta-me esperar que passe.

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