A
minha Lisboa está cada vez mais cheia de fantasmas. Substituem-se uns aos
outros, há um espectro em cada rua da cidade, sinto cravados na nuca os olhos
de quem eu queria que me olhasse de frente. E, invariavelmente, quando me viro,
não está lá ninguém.
Continuo
a procurar-te nos rostos e nos corpos de estranhos, que se tornam familiares
pelas parecenças contigo que neles invento. É um fenómeno que se repete,
não há nada a fazer, estás em toda a parte. Como uma gripe, resta-me esperar
que passe.
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